Embora eu costume brincar que o Joaquim é uma pessoa canina e tratá-lo com todo o carinho do mundo, ainda tenho a capacidade de me espantar ao perceber que o mercado “pet” está em plena expansão. Parece-me, inclusive, que a publicidade canina vai pelo mesmo caminho da publicidade infantil, criando “necessidades” absolutamente desnecessárias.
Que nossos amigos precisam e merecem ser bem tratados eu não questiono, o problema está na humanização excessiva dos nossos companheiros, nas expectativas exageradas, na grande roubada que nos pregam a todo momento de que para ser feliz é preciso ter.
Agora para “ser um pet fashion” é preciso ter coleira de brilhantes da marca XYZ, carrinho de bebê pet (!), fronha, lençol e todo o resto do jogo de cama.
É preciso ir ao salão, pintar o pelo, as unhas, fazer terapia, comer bala, bombom e chocolate (não falei da humanização?).
Observando essa tendência, não consigo deixar de pensar no tanto que regredimos a cada dia em nossas relações. Achamos que um petisco substitui um afago, que um super brinquedo substitiu a atenção. E às vezes, quando finalmente percebemos que os bons momentos não têm preço, não dá mais para voltar atrás.
E pensar que ainda nem falei das crianças…